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Museu Virtual do Porto de Setúbal

História do Porto

 O porto na Antiguidade | As embarcações do Sado | Os primeiros projetos | As obras de 1930 a 1934 | As últimas décadas

O porto na Antiguidade

A importância do Porto de Setúbal remonta à antiguidade pré-clássica, conhecido pelos primeiros navegadores fenícios que frequentaram as nossas costas e aqui estabeleceram feitorias comerciais, como mostram os achados arqueológicos. No local de Abul, na margem direita do rio Sado, terão construído a primeira infraestrutura portuária – trata-se, afinal, do primeiro porto de Setúbal.

Da época romana são sobejamente conhecidas as ruínas existentes nas duas margens do rio Sado. O local onde se encontra a cidade de Setúbal (margem direita do Sado) terá sido uma importante povoação romana, Caetobrix ou Cetóbriga.

O clima, o relevo, a natureza heterogénea dos solos e as condições ecológicas, entre zonas da serra calcária, sapais e charnecas de areia, cobertas por floresta, associadas à grande riqueza piscícola do estuário do Sado e do oceano Atlântico, condicionaram as principais diretrizes de especialização económica deste espaço. Sabe-se, a partir de dados arqueológicos, que as duas atividades industriais marcantes, então desenvolvidas, foram a produção de preparados alimentares com base no peixe e a fabricação de contentores cerâmicos para esses produtos alimentares, as ânforas.

As urbes de Cetóbriga e Troia, junto à foz do Sado, assim como a costa da Arrábida foram ocupadas por unidades fabris de salga de peixe e de garum, molho feito à base de peixe e ervas aromáticas.

As embarcações do Sado

O transporte fluvial de mercadorias deu origem à construção/adaptação de embarcações típicas do Sado. As primeiras embarcações de carga resultaram da conversão dos pequenos barcos de pesca em galeões para o transporte do sal. O galeão era uma embarcação de madeira que, no Sado, com a necessária adaptação, teve duas principais utilizações: pesca e transporte de mercadorias (galeão de carga).

O sal foi transportado nestes barcos até à década de setenta do século vinte, porque as marinhas, devido à sua localização geográfica, só estavam preparadas para escoar o sal pelo rio. A falta de vias de comunicação terrestres não permitia outra alternativa. Quando o escoamento começou a ser feito por terra a atividade dos galeões do Sado praticamente cessou e ficaram esquecidos na margem do rio, onde a maior parte apodreceu. Algumas destas embarcações foram mais tarde recuperadas e hoje sulcam as águas do Sado, utilizadas para divulgação turística.

Por iniciativa da APSS, em 2005-2008, foram realizadas diversas ações que visaram a recuperação da memória de um dos últimos galeões do Sado – o “Fundação de Portugal” - uma vez que o seu elevado estado de degradação inviabilizou uma operação de restauro que o colocasse de novo em condições de navegar. O valor patrimonial da embarcação e o seu interesse, enquanto testemunho da história do Porto de Setúbal, levaram a APSS a promover e patrocinar um projeto, coordenado e operacionalizado pelo Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, que desenvolveu trabalhos de recolha e sistematização de informação conducentes à elaboração do projeto de arquitetura naval da embarcação, o que torna possível a futura construção duma réplica fiel à embarcação original.

Os primeiros projetos

O primeiro projeto de obras no porto de Setúbal data de 1793. Tratava-se de uma doca ou caldeira, projetada pelo coronel Chermont, destinada a dar abrigo a pequenas embarcações, localizada entre os baluartes do Livramento e da Conceição.

Somente em 1836, a Câmara Municipal de Setúbal atribui a um particular a concessão da construção da primeira doca, localizada junto à foz da Ribeira do Livramento, a designada Doca Delpeut. Esta doca constituiu durante um século o único abrigo de que o porto dispunha para pequenas embarcações.

As obras de 1930 a 1934

A necessidade de criação de um organismo próprio para a execução das obras do porto é reconhecida a 18 de dezembro de 1923 com a aprovação da Lei nº 15/7 que criou a Junta Autónoma das Obras do Porto e Barra de Setúbal e do Rio Sado.

As obras do porto foram adjudicadas em 27 de junho de 1930 à Hojgaard & Schultz, de Copenhaga, com a colaboração para os trabalhos de dragagem da Van den Bosch & De Vries, de Ultrecht.

O lançamento da primeira pedra realizou-se em cerimónia solene a 28 de julho de 1930, aproveitando a visita do Presidente da República e de membros do governo, por ocasião da Exposição Regional do distrito e da inauguração da luz elétrica na cidade.

As primeiras grandes obras do porto de Setúbal decorrem de 1930 a 1934 e beneficiaram do programa de investimentos da Primeira Fase do Plano Portuário, segundo projeto do Engº Cid Perestrelo. Estas obras contemplaram:
 • A regularização da margem direita do rio (4km) entre a Vila Maria e Albarquel;
 • A construção de 2.170 metros de taludes empedrados, destinados a pequenas embarcações;
 • O aterro da antiga Doca Delpeut e o prolongamento da cobertura da Ribeira do Livramento;
 • Os terraplenos numa área total de 600.000 m2;
 • A construção de 3 docas destinadas, respetivamente, ao apoio da pesca, do recreio e do comércio.

As obras incluíram ainda a construção de seis estacadas acostáveis:
 • Estacada 1 – Estacada do Carvão, situada a poente da Doca de Pesca, com 60m de comprimento e 18 pés de calado;
 • Estacada 2 – Estacada da Lota, localizada a nascente da Doca de Pesca, destinada à acostagem de barcos de pesca, com 120m de comprimento e 18 pés de calado;
 • Estacada 3 – Estacada das Conservas, situada a poente da Doca de Comércio, dedicada ao comércio relativo à indústria de conservas e outras mercadorias, com 130m de comprimento e 25 pés de calado;
 • Estacada 4 – Estacada do Comércio, situada a nascente da Doca de Comércio, dedicada ao tráfego geral, servida por um ramal de via-férrea, com 60m de comprimento e 19 pés de calado;
 • Estacadas 5 e 6, localizadas no interior da Doca de Comércio.

Nas décadas seguintes, o porto foi alvo de outras obras e melhoramentos, tais como: a construção dos edifícios da lota e do cais 3 e a realização do Jardim Engº Luís da Fonseca; a execução de obras de pavimentação, arruamentos, instalações de eletricidade, água e esgotos. A construção do Cais Comercial realizou-se em 1966 contemplando a construção de 175 metros de cais, com fundos de –9,00m (ZH) e 1,1ha de terrapleno, obra que estava incluída no II Plano de Fomento (1959-64), no programa referente ao setor portuário.

As últimas décadas

Em 1970 o Cais Comercial é prolongado para nascente com uma melhoria dos fundos para –10,00m (ZH), obra incluída no III Plano de Fomento.

Nas décadas de 60 e 70, assiste-se à construção de diversos cais particulares e à instalação de grandes indústrias em Setúbal, permitindo posicionar o Porto de Setúbal como um porto industrial.

Com a construção da 1ª fase do Terminal Roll-On/Roll-Off, em 1985, que atualmente está incluído no Terminal Multiusos Zona 1, concretiza-se o primeiro investimento em infraestruturas portuárias dedicadas a este segmento de tráfego. A obra consistiu na construção de 220 metros de cais acostável e rampa, com fundos de –10,5m (ZH).

Em 1992, a APSS finalizou mais um investimento decisivo para o desenvolvimento do Porto de Setúbal, através da conclusão do Terminal Roll-On/Roll-Off e construção do Terminal de Contentores, que representou mais 320 metros de cais acostável.

Com a instalação da fábrica AutoEuropa em Palmela, o porto é chamado, mais uma vez, a desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento da região. Em 1994, foram concluídas as obras de construção do Terminal Roll-On/Roll-Off da AutoEuropa, com 370 metros de frente de cais, uma rampa e fundos de –12m (ZH), por onde é exportada grande parte da produção da fábrica.

A construção do Terminal Multiusos (ampliação do Terminal de Contentores), em 2002, que representou um investimento de 29 milhões de euros, significou uma aposta estratégica da APSS para o futuro no mercado de contentores, permitindo hoje posicionar o Porto de Setúbal como um importante porto ibérico.